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Um Ato de Coragem |
Um Ato de Coragem
Celso Sabadin
Dia de Treinamento - filme que deu o Oscar a Denzel Washington – ainda estava em cartaz nos EUA, quando mais de dois mil cinemas norte-americanos receberam as cópias do novo trabalho do ator: Um Ato de Coragem . Outro sucesso: o filme custou US$ 36 milhões e rendeu praticamente o dobro. Um Ato de Coragem pode não ser tão vigoroso e incisivo como Dia de Treinamento , mas sem dúvida trata-se de mais uma convincente interpretação de Denzel Washington. Ele vive o papel de John, um operário que luta como pode contra a sua crônica falta de dinheiro. Mesmo com o carro de sua esposa sendo apreendido por falta de pagamento, John consegue administrar a situação com dignidade e até com uma certa dose de bom humor. Porém, tudo muda radicalmente de figura quando seu filho Michael (o estreante Daniel E. Smith) passa a necessitar, urgentemente, de um transplante de coração. Sem recursos e ludibriado pelos planos de saúde, John esgota todas as possibilidades consideradas normais, entra em desespero e parte para soluções mais radicais. Existem temas que são praticamente impossíveis de não causarem emoção, na sala escura do cinema. A luta desesperada de um pai para salvar a vida de seu filho é um deles. Neste sentido, é muito difícil assistir a Um Ato de Coragem sem torcer vibrantemente pelo herói. Porém, uma análise mais fria e profunda detecta claramente que o filme tem um visível problema de tom. Tudo está um tom acima: John é bom demais, mesmo com uma arma na mão. O chefe de polícia (Ray Liotta) é canastrão demais. O papel da mídia é pintado com cores carregadas demais. A diretora do hospital (Anne Heche) é vilã demais. E até o bom Robert Duvall interpreta um delegado previsível demais. Tudo isso aproxima Um Ato de Coragem muito mais do padrão estético de uma telenovela que propriamente de um bom filme para cinema. Faltam nuances e sutilezas ao roteiro do estreante James Kearns e à direção de Nick Cassavetes (filho de Gena Rowlands e John Cassavetes). Trata-se de um trabalho apenas convencional, dirigido de maneira burocrática, mas mesmo assim capaz de arrancar algumas lágrimas, em função da grande passionalidade do tema. 28 de maio de 2002 ____________________________________________ Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br