ETERNAMENTE NA LEMBRANÇA
Enviado por rocha_karina em 13 de Dez, Ter
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Charlie Kaufman voltou aos cinemas. Roteirista de “Quero ser John Malkovich”, “Adaptação” e “Confissões de uma mente perigosa”, agora assina “Brilho eterno de uma mente sem lembrança” sob direção de Michel Gondry.
Jim Carrey é Joel, um homem tímido, reprimido, infeliz, que parece estar levando de forma sem graça a vida, esperando apenas a morte chegar. Kate Winslet é Clementine, uma mulher de temperamento instável, nada tímida, Com vontade de dar graça à vida antes que a morte se faça presente.
Eles tem um relacionamento bastante conturbado. O suficiente para Clementine resolver apagar Joel de sua lembrança completamente. Ela procura então a empresa do Dr. Howard Mierzwiak, que possui a tecnologia para fazê-lo.
Quando Joel descobre, resolve dar o troco na mesma moeda. No meio do processo ele começa a rever pela última vez suas lembranças. Re-descobrindo porque a amava ele tenta, dentro da própria mente, burlar o processo que esta apagando sua memória.
Jim Carrey esta esbofeteando a cara de quem diz que ele não é ator. Esta extraordinariamente bem. Contido e reprimido como pedia seu personagem. Numa cena dele brincando com a namorada em que ele começa a fazer caretas, pensei: - Pronto agora vai vir uma sessão de “Debby Loyde”. Nada disso, as caretas são na exata medida que Joel faria. Engraçadas mas recatadas, num momento certo e com o contexto pedindo.
A eterna Rose, Kate Winslet também não se deixou apagar, está maravilhosa. Clementine é angustiada, mas vê a felicidade em coisas bem simples e é espalhafatosa, exatamente o contrario do estereotipo colocado para essa atriz interpretar.
O casal está de parabéns, sentimos as angústias e repressões de ambos dentro da a gente.
Mas o elenco não se resume aos dois. A equipe do “doutor apagador de lembranças” também atua de forma magistral. Tom Wilkinson, Mark Ruffalo, Kirsten Dunst e Elijah Wood ficam tentando achar as memórias de Jim Carry enquanto ele tenta escondê-las. É impressionante como o diretor conseguiu sugar atuações excepcionais de cada ator, independente do tamanho de seus personagens. E atenção: eles acabam sendo mais importantes do que se imagina.
O roteiro é brilhante. Aconselho paciência para os primeiros 20 minutos. São bem confusos. É como um quebra-cabeças. No início as peças estão jogadas de forma aleatória, tendo até peças de cabeça para baixo. Começa-se então a virá-las, organiza-las. Nesse momento do filme vamos franzir a testa e nos perguntar o que fazer com todas as informações (peças). Mas com o decorrer do filme as peças vão se encaixando e a visualização melhora.
No fim, quando só faltam umas 5 peças que percebemos a monstruosidade e grandeza da história. Quando a última peça é encaixada tem-se a certeza de que se viu o melhor filme do ano! “Que venha o Oscar de Roteiro Original”!
KArina Rocha