Finalmente um Wane à altura
Enviado por rocha_karina em 04 de Abr, Ter
Melhor:
Pior:
Nossa como esperamos por isso! Tivemos que aturar atuações medíocres de Val Kilmer e George Clooney. Até o Chris O’Donnel que foi Robin teria dado um Batman melhor do que os que passaram. Mas agora tudo esta nas mãos de Christian Bale ele mostra que não esta para brincadeira.
Já tinha virado carma: Em filmes do Batman o que se salvava era o vilão. Se bem que no último, nem isso. Ate por que não dava para esperar muito da atuação de Arnold Schwarzenegger mesmo interpretando um cara geladão.
Mas esqueçam tudo! Esqueçam aquela Gotham City com cara de Nova Iorque mais moderninha. Esqueçam o Batmóvel com cara de carro do James Bond. Esqueçam as desculpas esfarrapadas para as habilidades marcias do cara. Esqueçam, principalmente, os Batmans bonzinhos.
Esqueçam tudo, menos os seus medos. Estes têm importância crucial para o desenrolar da trama. Tudo se inicia com uma bilionária e feliz família Wayne. Mostrando todas as razões para o medo de morcegos e para a raiva interior causada com a morte de seus pais. Toda a angustia e culpa, dor e ódio, rancor e depressão são expostos como uma ferida aberta, e o diretor inglês Christopher Nolan suga toda a densidade do personagem quando coloca Katie Holmes num papel de dedo na ferida. Ela cumpre sua meta, interpretando a promotora incorruptível Rachel Dawes. Se mostra como um tapa na cara de Bruce quando mostra para ele que vingança é diferente de justiça. Vivendo situações bem adversas a de um bilionário, Bruce vai a treinamento. Claro que ele vai ser treinado! Não veio com super-poderes do planeta Kripton, não foi mordido por nenhuma aranha e tão pouco é um mutante. Seu diferencial é um misto de medo com e vontade de fazer justiça. Nas mãos de Lian Nelson esses confusos sentimentos são trabalhados e o treinamento ninja dá ao publico contorcionismos nas poltronas. Na teoria não tem jeito, é sempre meio parecido de filme para filme. Varia o mestre, varia o aprendiz, mas são sempre frases de efeito e muita porrada no pobre aluno. Agora na hora do teste final é que se percebe a diferença. Mestre Yoda e Luke Skywalker em “Star Wars VI” ficaram pra trás, Daniel San em “Karate Kid” ficaria com inveja e a batalha entre Neo e Morfeu virou fichinha. A cena de Bruce lutando contra os ninjas iguais num corredor humano esta páreo a páreo com a de Bill e A Noiva no final de “Kill Bill 2”. Tarantino que me desculpe mas Nolan esta exemplar.
Depois de treinado ele mostra a que veio. Explica exatamente como vai vir a se tornar o Batman. Desde a ideologia de justiceiro à modernidade de seus equipamentos, visto que ele não tem super poderes e sim um super engenheiro tecnológico. Entra em ação Lucius Fox, por Morgan Freman (sempre excelente), e como o cara é o Homem Morcego e não o Magaiver, tudo é muito bem explicadinho, roupa, caverna, armas, medos... O medo é trabalhado, morcegos se tornam sua forca e passam a ser medo para os seu inimigos. Sendo essa a justa razão da escolha da fantasia negra. Perde-se a inocência e infantilidade dos filmes anteriores, agora é a vez de um novo começo, a uma lógica aparece. Pouca porrada gratuita, muito terror e riqueza em detalhes é o novo lema a ser seguido.
Gotham esta perfeita! Incomparável com as anteriores que mais pareciam uma Nova Iorque remodelada. Essa sim é assustadora, assim como o filme todo. A cena em que Batman esta no alto de um prédio a noite observando a cidade com um olhar de guardião é espetacular. Dá vontade de começar a aplaudir no meio do filme, uma fotografia linda. A trilha sonora se encaixa com exatidão em cada cena nos proporcionando um estado de entrega ao diretor. Atuações exemplares por parte de
todo o elenco, um roteiro minucioso e arrepiante e, finalmente, um Batman COM CARA DE BATMAN! Qualquer semelhança será, sim, mera coincidência, mas nada nos impede de traçarmos um paralelo entre Gotham City e o nosso pais. Assolados por corrupção, a honestidade se torna tão escassa que perde a fé me si própria e não consegue fazer a menor diferença. As ruas, há muito, deixaram de ser seguras. O grande vilão não é tão vilão assim, é só mais um por traz de uma máfia muito maior. O capacho se mostra mais poderoso do que parece. Porem, no fim era só mais um peão nesse xadrez onde um esquema muito maior esta se preparando para dar o xeque-mate e o grande rei do jogo... Esse surpreende. Aos que gostam de reclamar só resta o Batmóvel. Realmente ele ficou meio “diferente” dos modelos originais padrão 007, mas e daí?? Virou um super tanque de combate, e agora dá até para aceita melhor as coisas que ele faz, também, com aquele tamanho todo!!
Tem mais, cheguem ao cinemas atentos para tudo. Os detalhes estão ali e só não percebe quem nunca viu Batman na vida. Comissário Gordon, Batgirl, Bat Sinal, se forçamos uma barra, eu diria que dá até para prever o Robin. Mas tem que perceber tudo antes dos minutos finais, senão fica muito fácil. O filme cumpre sua proposta. Batman Begins apresenta o começo, a gênese, a criação do Cavaleiro das trevas. Esta tudo ali, muito bem explicado. Se você perdeu alguma coisa a culpa é sua. Vá ver o filme de novo e preste mais atenção! O que nesse caso não vai ser nenhum desperdício de dinheiro, pelo contrario.
KArina Rocha