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Colateral |
Colateral
Angélica Bito
Você já pensou que estava no lugar errado na hora errada? Amaldiçoou qualquer coisa que tenha a ver com destino, ou mesmo passou a acreditar que até as coincidências estão contra você? Posso dizer que disso entendo um pouco, mas, depois de ver Colateral , tive de admitir que há pessoas (pelo menos na ficção) mais azaradas do que eu. Mas isso não interessa para você, caro leitor. Por isso, vamos ao que realmente interessa, o filme. O azarado de Colateral , no caso, é Max (Jamie Foxx), um honesto taxista que tenta viver sua vida como consegue. Entre uma corrida noturna e outra, ele é vítima de uma verdadeira peça do destino. Afinal, mal sabe ele que a entrada de um passageiro em seu táxi pode mudar sua vida completamente. O tal cliente é Vincent (Tom Cruise). Simpático e bem generoso, ele propõe a Max que ele o leve a alguns lugares que tem de ir antes de voltar à sua terra natal. Vendo o chumaço de dinheiro oferecido, o taxista aceita, mas logo na primeira parada ele percebe que se meteu em uma grande enrascada, mas é tarde demais: Vincent já tem Max como refém e o taxista deve terminar o serviço pelo qual foi contratado. Paralelamente, os policiais de Los Angeles saem à caça do assassino que está matando as testemunhas de um caso de tráfico de drogas na cidade. A premissa de Colateral pode ser um tanto quanto comum. Aparentemente, é um filme como aqueles que você vê na TV aberta toda semana. É aí que as presenças de Tom Cruise e Jamie Foxx no elenco, além de Michael Mann ( O Informante ) na direção, fazem a diferença. Aparentemente, Colateral é mais um filme sobre assassinatos, mas não é. Mann optou por fazer um filme sobre como se relacionam um matador profissional e um homem honesto que teme pelas conseqüências de seus atos. A postura de Vincent é extremamente profissional: ele foi a Los Angeles a trabalho e não pretende deixar que nada nem ninguém interfiram na concretização de suas tarefas. Ele é um profissional. Já Max é um taxista. Sua função é levar as pessoas aos seus destinos e receber dinheiro por isso, o que ele se recusa a fazer quando descobre o que seu passageiro faz em tais lugares. Em Colateral , a visão maniqueísta presente na maioria dos filmes hollywoodianos não existe. O filme é o duelo entre um homem cheio de princípios profissionais (Vincent) versus aquele cuja ética moral sobrepõe-se à profissional (Max). Lembrou-se das velhas aulas de filosofia? Eu também. E se, depois disso, você acha que Colateral é chato, digo que não é. Na verdade, apesar dessas interpretações que, provavelmente, só eu fiz (não pela esperteza, mas sim pelo alto grau de abstração), trata-se de um bom thriller de ação que não exige muitas interpretações vindas do espectador, mas merece.