Haggis e o excesso de esquemas
Enviado por jailsoncp em 30 de Ago, Qua
Melhor: Roteiro
Pior:
O excesso de esquemas sem dúvidas prejudica "Crash". Ninguém sabe se o filme já está todo pronto no roteiro ou se a partir deste se desenrola a película com o trabalho dos demais integrantes da equipe. Provavelmente, Paul Haggis, por ser roteirista e este ser seu primeiro trabalho de direção, tenha feito tudo no roteiro. Que pena! Não deu espaço para o trabalho dos atores, não por ser muitos, mas pelo modo clichê de vê-los, geralmente em dois tempos. Tudo parece ter um antes e um depois. A insistência em tentar colocá-los sob um fio condutor prejudicou o desenrolar das principais personagens. Em muitas situações, deve-se abdicar da "lógica" ou dos modelos. O filme também passa a sensação de que tudo o que acontece com suas personagens, não passa de obra do acaso. Talvez tenha sido uma metáfora, mas ele não ressalta o lado humano de suas personagens. Ele as vê mais sob o foco coletivo, étnico, social do que individual. A montagem do filme é boa, mas só reforça o didatismo que limita o desenrolar dos diversos núcleos. A direção é cheia de clichês (música-tema com cenas dos personagens, num momento onde ressalta a força do acaso), fruto da incipiente carreira de Haggis como diretor de cinema. Enfim, não se trata do melhor filme do ano, pois "Boa Noite e Boa Sorte" e "Munique", por exemplo, não cometem esses erros na direção.