Crash - No Limite

  ( Crash (2004), EUA/ Alemanha, 2004)
NOTA GERAL:

BOM
HISTÓRIA:

BOM
ATUAÇÃO:

BOM
DIREÇÃO:

BOM
VISUAL:

BOM
confuso, provocador, todavia confuso e superficial
Enviado por janiosantos em 04 de Set, Seg

Melhor: levantar provocações
Pior: superficial ao tratar questões sérias do cotidiano

O filme é interessante, porém preocupantemente confuso ao abordar questões sérias da vida cotidiana. Ao levantar a questão racial, tenta amenizar a realidade vivida por minorias (no sentido de força política) étnicas, tentando ludibriar o expectador no que diz repeito ao preconceito. Assim, um crítico desatento, pode negar e esmaecer a veracidade das reais condições as quais foram submetidas essas minorias. A título de exemplo, o policial que molesta a mulher, o que devemos interpretar dele? Que ele é um heroi? O policial que mata o garoto? Mocinho ou bandido? Os dois personagens negros (a mulher do convênio e o chefe da polícia, que no filme usam seu poder para "humilhar" ambos policiais brancos) são alguma justificativa a que? Os dois negros no início do filme, que se sentem discriminados por Sandra Bullock e seu marido e depois efetivam o assalto, revelam que os brancos devem realmente se preocupar pois os negros na maioria das vezes são assaltantes? O que o filme quer revelar? Que tudo isso é um complexo, produto de uma séria deterioração da vida cotidiana, independente da cor, classe e portanto não pode ser analisado dentro do contexto de raça e classe. Muito preocupante. Particularmente, não concordo com esta concepção que o filme tenta colocar, parecendo que o preconceito e que as questões de classe inexistem, nos fazendo acreditar que, na realidade, devemos rever nossos conceitos sobre condições sociais e racismo. Claro que a sociedade é complexa, e que não podemos estabelecer generalizações em determinadas discussões. Contudo, não podemos esquecer fatos históricos, condicionantes relevantes materialmente construídos. É um fato verídico e histórico que as minorias (no sentido político) sempre diveram seus direitos postos em detrimentos e que boa parte de conflitos sociais na atualidade são um produto inverossímil disso. Que na sociedade, aqueles que historicamente detiveram o poder sempre subjugaram as minorias. Este filme pode ser interpretado equivocadamente, no sentido de supor que por todos estão em situação de igualdade de direitos; algo que é, no mínimo, ridículo e absurdo. Uma boa tentativa de apagar (hoje) a hedionda história, e fazer com que tais minorias não se sintam no direito de reivindicar aquilo que lhes foi negado ao longo do tempo. Outrossim, não responde absolutamente nada, sobre as questões que ele levanta. Em minha opinião, ganhar o Oscar de melhor filme só demonstra um fato: uma academia que aclama a deturpação, pela reificação de um esteriótipo de complexidade. Na realidade, coloca para bem longe possibilidades de um dia superarmos as condições de desigualdade de direitos, que foi contruída pela história, e que só podem ser superadas se hodiernamente condições específicas sejam efetivadas para que no futuro (portanto, a partir da mesma hstória), almejemos uma outra sociedade, plena de direitos para todos.

Você achou esta resenha útil?
Sim | Não

Primary Navigation

Primary Navigation

Home | Em cartaz | Salas e horários | Em breve | DVD | Trailers | Críticas | Notícias
Copyright © 2008 Yahoo!. Todos os direitos reservados.
Política de Privacidade -Termos de Serviço - Direitos Autorais - Ajuda