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Um Bom Ano |
Um Bom Ano
Angélica Bito
Um Bom Ano é um dos maiores fracassos que passou pelos cinemas norte-americanos em 2006. Custando US$ 35 milhões, rendeu menos de um terço desse valor nas salas locais. A péssima performance desta comédia dramática nos EUA não é reflexo direto de sua qualidade (ou falta de): Um Bom Ano está longe de ser o pior do ano. No entanto, o ritmo não condiz à história, cuja narrativa é arrastada. Tudo é europeu demais para fazer sucesso nos EUA e esse é o maior pecado comercial desta produção. O filme retoma de uma forma atípica a bem-sucedida parceria entre o diretor Ridley Scott e o ator Russell Crowe, que começou no épico Gladiador . Aqui, não há a violência e a grandiosidade do filme de 2000. Crowe interpreta Max Skinner, um investidor inglês antipático e sem escrúpulos, mas com um humor ácido e grosseiro que chega a divertir. Max só pensa em dinheiro e isso não muda quando fica sabendo que seu tio mais próximo, Henry (Albert Finney), acaba de falecer, deixando ao sobrinho sua vinícola na França. O protagonista mal tem tempo de ficar triste e já viaja ao local para tentar vendê-lo. Alguns tramites fazem com que ele fique mais tempo do que gostaria no país. Logo, o clima europeu o seduz de forma a fazer com que as memórias da infância (fase na qual o protagonista é interpretado pelo adorável Freddie Highmore, o Charlie Bucket da atual A Fantástica Fábrica de Chocolates ) tornem-se cada vez mais vivas e o seduzam de forma a fazer com que Max pense em, talvez, mudar de vida. Especialmente depois de conhecer a bela francesa Fanny (Marion Cotillard, de Eterno Amor ). Um Bom Ano traz uma história simpática, mas sem ritmo algum. Apesar do elenco forte, o clima europeu do filme seduz a todos dentro da tela, mas não fora. Os personagens são superficiais e os atores são mal aproveitados. Sem conseguir se definir entre a comédia, o drama ou o romance, a produção perde. No fim das contas, o filme é o resultado de um diretor tipicamente norte-americano tentando fazer um filme europeu. As intenções são boas, mas não têm um bom resultado. Um Bom Ano é, no máximo, simpático, mas não é capaz de fazer diferença na vida de ninguém.