A Caçada

  ( The Hunting Party, EUA/ Croácia/ Bósnia-Herzegóvina, 2007)
A Caçada
A Caçada
Sérgio Alpendre

Logo no início de A Caçada , podemos jurar que estamos diante de um filme de Michael Winterbottom ( O Preço da Coragem ). Substituimos o rock do The Sweet, mais festivo, pelo de Van Morrison, mais politizado, e subtraímos toda a tensão sociológica e estamos diante de uma versão mais solta e esperta de Bem-vindo a Sarajevo . A região é a mesma, a profissão dos personagens é a mesma, a situação política idem. Apenas aquele jeitão auto-importante em excesso de Winterbottom, o bom samaritano, está ausente, o que faz toda a diferença. Richard Shepard ( O Matador ) escreveu o roteiro a partir de um artigo da revista Esquire e dirigiu o filme ao ritmo de um rockão setentista, o que às vezes faz com que ele se pareça com algo do Guy Ritchie ( Snatch - Porcos e Diamantes ). Shepard parece falhar apenas na dose de comoção que pretende misturar ao relato de Simon, um jornalista badalado vivido por Richard Gere ( Chicago ), que um dia pira e sai falando verdades que o status quo não gostaria de ouvir sobre a guerra. Obviamente ele será colocado em uma geladeira, o que o faz sobreviver às custas de sub-empregos, cobrindo conflitos que a mídia normalmente não se aventura a cobrir. Cinco anos após o cessar fogo nos Balcãs, ele reencontra seu parceiro de reportagens, o câmera Duck, interpretado pelo carismático Terrence Howard ( Ritmo de um Sonho ), e o convence a partir para uma reportagem arriscada com um criminoso de guerra foragido. Há um trunfo no filme: fica clara que a linha entre ficção e documento é extremamente frágil, e a própria narração em off (feita por Duck, após os acontecimentos), deixa clara a possibilidade de que tudo pode ser apenas uma história, criada para causar sensação. Esse também é o ponto frágil, pois, ao ampliar o leque de possibilidades, Shepard coloca seu filme em uma frágil instância em que nada parece importar de fato. Nada mais parece digno de ser levado a sério, o que sobra não faz jus a essa intenção de irreverência. Temos, então, uma incômoda mistura de melodrama com sátira, sendo que nenhuma dessas características é explorada para valer.


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