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Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet |
Sweeney Todd: o Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Angélica Bito
Além de ter seu trabalho marcado pela estética gótica, o cineasta Tim Burton também costuma flertar com a música. Em Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco Da Rua Fleet , ele constrói um longa-metragem do gênero musical completamente sombrio e gótico, tendo como base a obra escrita por Stephen Sondheim e Hugh Wheeler para um musical da Broadway. A história começa com a volta de Benjamin Barker (Johnny Depp) a uma Londres completamente sombria. É assim que ele vê a cidade inglesa, com sua visão nebulosa por conta do desejo de vingança após ter sido extraditado do país e separado de sua família, a esposa Lucy (a estreante em cinema Laura Michelle Kelly) e sua filha ainda bebê Johanna. Isso há 15 anos. Na volta, ele descobre que sua esposa cometera suicídio e a filha fora adotada pelo mesmo homem responsável por seu período de ostracismo, o juiz Turpin (Alan Rickman), que condenou Barker por um crime que ele não cometera para afastá-lo da esposa, desejada pelo vilão. Em Londres, Barker passa a responder por outro nome para prosseguir com seu plano de vingança. Sob a alcunha de Sweeney Todd, ele reencontra a sra. Lovett (Helena Bonham Carter). Proprietária de uma falida loja de tortas, é transformada em cúmplice do barbeiro assassino, que atua no andar de cima de seu estabelecimento. Os corpos que saem da cadeira de Todd vão direto para as tortas da sra. Lovett, que repentinamente passam a ser reconhecida em toda a cidade. Para dar uma certa “leveza” à história de assassinatos e vingança, Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco Da Rua Fleet ainda mostra a história de amor proibido entre o marinheiro Anthony Hope (o promissor Jamie Campbell Bower) e Johanna (Jayne Wisener). Ele é o homem que achou Sweeney no mar e o conduziu até Londres; ela é a filha de Sweeney e novo objeto de desejo de Turpin. A Londres idealizada por Burton em seu filme é completamente cinza, suja e desprezível, mostrada na tela da mesma forma que seu protagonista a vê. Os únicos momentos nos quais as cores passam por seus olhos estão no passado e no sangue que jorra e escorre de suas belas navalhas. Em meio a esta complicada trama, muito bem trabalhada e resolvida pelo roteiro de John Logan ( O Aviador ), temos músicas. Muitas músicas. O que é evidente, pois estamos lidando com uma produção musical. Outro elemento é a presença de Johnny Depp como o protagonista do filme. A parceria entre o ator e Burton é repetida pela sexta vez em Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco Da Rua Fleet e o público agradece. Reconhecidamente talentoso, Depp constrói um personagem denso e sombrio da forma como deve ser. Ao mesmo tempo, Helena Bohan Carter – esposa de Burton na vida real – torna-se um par perfeito na função de contar esta fábula sanguinária (que muitos dizem ter realmente acontecido). Ao mesmo tempo, o diretor escalou atores estreantes e desconhecidos para desempenhar outros importantes papéis na trama, que também cumprem suas funções com competência. Portanto, se você é o tipo de espectador que não simpatiza com o gênero musical, recomendo que passe longe de Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco Da Rua Fleet . Mesmo porque os arranjos das canções são um tanto quanto repetitivas, apesar de bem conduzidas vocalmente pelos atores. Mas, se a admiração pelo trabalho de Tim Burton for grande – lembrando que ele já flertou com o gênero em longas anteriores, como A Noiva Cadáver (2005), A Fantástica Fábrica de Chocolate (2005) -, vale a pena dar uma chance a este longa. Afinal, ele traz elementos que consagraram a fama de Burton como admirável diretor, principalmente ao conseguir transformar elementos góticos em cinema de forma magistral.