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Missão Babilônia |
Missão Babilônia
Angélica Bito
Um filme que já estréia nos cinemas sem a aprovação do seu próprio diretor não pode ser bem-visto. No caso, a briga comprada por Mathieu Kassovitz (do excelente O Ódio e do ruim Na Companhia do Medo ) contra o estúdio Fox Films , produtor de Missão Babilônia , é falada desde antes da estréia do longa, que nos cinemas norte-americanos faturou somente US$ 20,5 milhões (para se ter uma idéia, o filme custou US$ 60 milhões). O problema entre o diretor francês e os produtores é que ele não teve o corte final do longa. Comparando a conclusão de Missão Babilônia a um “final ruim de 24 Horas ”, Kassovitz pretendia dirigir um longa muito mais fiel ao livro Babylon Babies , livro de ficção científica de Maurice Georges Dantec cultuado na França, mas inédito no mercado editorial brasileiro. No fim, a Fox cortou 70 minutos da versão original de Kassovitz a fim de baixar a censura do filme nos cinemas e diminuir o tempo do filme para 93 minutos. Como resultado da briga entre o diretor e o estúdio, Missão Babilônia não chegou a ser exibido à imprensa especializada norte-americana e quase não ganhou promoção. O pouco expressivo astro de filmes de ação Vin Diesel ( As Crônicas de Riddick ) protagoniza este filme como o mercenário Toorop. Ele recebe uma missão do chefão maldoso Gorsky (Gérard Depardieu, quase irreconhecível sob uma maquiagem que o deixa deformado): levar a jovem Aurora (Mélanie Thierry) e sua guardiã Irmã Rebeka (Michelle Yeoh) do Leste Europeu a Nova York (EUA). Nessa jornada, eles acabam batendo de frente com diversos interesses e pessoas interessadas em colocar suas mãos em Aurora, que, aos poucos, revela ser mais do que uma simples menina bonita. A trama de Missão Babilônia tem pinceladas de fanatismo religioso; em alguns momentos, a situação da humanidade num futuro caótico pode até despertar no espectador alguns lampejos de reflexão. No entanto, as intenções não são fortes o bastante para causar algum impacto no filme. Diferentemente dos efeitos especiais, explosões e cenas de ação, predominantes nos 93 minutos de projeção. A direção de arte é interessante: o mundo apocalíptico assemelha-se tanto à realidade árida de filmes como Filhos da Esperança quanto os arranha-céus de Blade Runner – O Caçador de Andróides e a tecnologia do desenho animado Jetsons . No entanto, o merchandising de marcas em mais frames do que o suportável faz com que o filme perca pontos. É notável a possibilidade do longa em resultar num épico de ação capaz de fazer o espectador pensar, mas qualquer intenção fica perdida em meio à correria desenfreada na qual se inserem os personagens e as marcas que desfilam na tela. No fim, a produção parece mais um videogame, na qual os heróis têm de passar de fases para conseguir salvar o mundo no final. Depois deste resultado catastrófico na experiência de Kassovitz um grande estúdio, o que esperamos é que o diretor francês volte a fazer um filme independente que tenha o peso de O Ódio (1995).