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Cidade mestiça, máfia real
06 de Nov, Sex - 11h58 ( São Paulo, BR Press) - Plastic City foi inteiramente filmado no Brasil. Equipe e elenco formados por brasileiros, japoneses e chineses trabalharam juntos. A idéia de Plastic City surgiu quando Likwai passou pelo Brasil para finalizar o seu filme All Tomorrow´s Parties. Intrigado com a diversidade cultural e étnica de São Paulo, Likwai sabia haver encontrado o cenário para seu próximo filme: o bairro da Liberdade. Conflito universal e atemporal A Gullane foi procurada para produzir o longa-metragem em parceria com a produtora chinesa Xstream Pictures. Iniciou-se então um intercâmbio profissional entre os países, que resultou em uma história com raízes chinesas e brasileiras e com um conflito universal e atemporal. Nas ruas do bairro da Liberdade, todos respeitam o mafioso chinês Yuda. Chefe de uma tradicional rede de contrabando, ele tem como braço-direito o filho adotivo Kirin, um jovem atormentado por um passado de violência. Enquanto as autoridades buscam provas para prender Yuda, um novo grupo mafioso quer ocupar o seu lugar. O cerco em torno de Yuda parece se fechar apesar das tentativas de Kirin em salvar o império do pai. Contrabando Yuda é ameaçado por uma poderosa organização, liderada por Mr. Taiwan (Chen Chao Jung), com fortes influências internacionais e métodos distintos. Aos poucos, o "bom e velho" Yuda perde o controle dos negócios e entra em uma fase de decadência que culmina em sua prisão. Dentro deste contexto, Kirin luta para reconquistar a honra do pai, mas percebe-se enfraquecido e sozinho. Será ele capaz de reerguer o império de Yuda? "Opaca e fechada" Esse contato com os chineses que vivem em São Paulo trouxe importantes reflexões para Yu Liwai. A principal delas se refere à postura dos imigrantes, a qual é classificada pelo diretor como "uma opaca e fechada comunidade que nem sempre é integrada à parte de cima da sociedade". Dentro deste contexto, ele afirma não ver diferenças entre os chineses que vivem na Liberdade dos que moram na Chinatown de Londres. A maioria deles se escondem em seu micro-cosmos. No entanto, essa opacidade chinesa é mais acentuada quando é examinada sob o contexto brasileiro. Essa timidez, de se esconder por trás de uma mascara é contraditória para o espírito brasileiro. "De fato, para mim, um chinês vivendo no Brasil é um tipo de contradição. Não digo que é um erro, mas poderia ser quase uma experiência de incompatibilidade genética. E eu realmente vejo essa contradição de forma cativante e inspiradora", afirma. Mão de Bonassi Plastic City é uma variação do gênero thriller. "Quis experimentar com códigos híbridos de narrativa e formas visuais. Do filme noir às produções orientais de espadas, os elementos de Plastic City estão ao mesmo tempo borrados e cruzados", comenta Likwai. O roteirista Fernando Bonassi (Estação Carandiru, Cazuza e Lula, o Filho do Brasil) foi escalado para o longa. "O fato de ele ser chinês, em minha opinião, é a maior grandeza deste filme. Sua maneira de olhar o mundo e filmá-lo, sempre como metáfora, por mais que se apóie no realismo, é um traço oriental e muito diferente do nosso", afirma Bonassi. De acordo com Likwai, Bonassi "é um talentoso escritor e carrega uma mistura de cinismo, um realismo forte e extremo e um humor retorcido dentro dele. Isto criou as condições necessárias para fazer o filme como ele é: expressando a coexistência e a eventual incoerência entre diferentes culturas e valores dessa charmosa cidade mestiça". Entre os atores brasileiros do elenco estão Milhem Cortaz, como Not Dead, e Alexandre Borges, como Danilo. |
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