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Livros discutem Retomada do cinema nacional
07 de Dez, Sex - 12h50 ( BR Press) - Com prefácio de Cacá Diegues, o livro Cinco Mais Cinco é ocupado principalmente por textos dos críticos Luiz Carlos Merten e Rodrigo Fonseca, que explicam detalhes da realização e dos aspectos intrínsecos aos cinco filmes da chamada Retomada (a partir dos anos 90, quando uma série de filmes começaram a ser produzidos no Brasil, depois de um período de vacas magras e do fim da Embrafilme) – os mais vistos pelo público e mais elogiados pela crítica. Cidade de Deus O curioso é notar que em comum entre as duas listas, há apenas Cidade de Deus, de Fernando Meirelles. Na lista do público, estão também 2 Filhos de Francisco, Carandiru, Se Eu Fosse Você e Lisbela e o Prisioneiro; e na da crítica, Edifício Master, Lavoura Arcaica, O Invasor e Terra Estrangeira. Há ainda uma entrevista com Walter Salles e textos de, entre outros, Carla Camurati, contando a respeito da realização de Carlota Joaquina. Porém, é Cacá Diegues quem parece encontrar uma das chaves fundamentais para a compreensão do cinema realizado no Brasil desde 1994: "Com uma segurança e uma qualidade técnicas que o cinema brasileiro numa teve, nem mesmo na época dos profissionais importados pela Vera Cruz, eles (os jovens cineastas que estrearam dos anos 1990 para cá) desempenham seu papel de filmmakers (fazedores-de-filmes) com uma espécie de ética do desempenho, como se dissessem que, se é para fazer, tem que se fazer da melhor maneira possível". A coletânea Ecos do Cinema, como o próprio título explica, vai muito além da produção da retomada do cinema nacional e, justamente por isso, é fundamental para compreendê-la. Há textos a respeito do primeiro cinema, da montagem paralela dos filmes de Griffith (análise apurada de Ismail Xavier), do cinema dos vanguardistas russos Eisenstein e Vertov, da arte do documentário, dos musicais e das chanchadas, e dos filmes de David Cronenberg e Peter Greenaway. "Cosmética da fome" A respeito do atual cinema brasileiro quem se atém é, de certo modo, Arnaldo Jabor, em Política e Estética, e a própria organizadora Ivana Bentes, em Sertões e Favelas no Cinema Brasileiro Contemporâneo, onde aborda mais uma vez a sua teoria da "cosmética da fome", talvez a que tenha gerado mais discussões desde 1994. Para a autora, filmes como Eu Tu Eles e Cidade de Deus, entre outros, nada mais fizeram do que, de certo modo, fornecer uma estética mais agradável a elementos da realidade brasileira, como a seca e os morros cariocas, e fazer circular uma série de clichês. Por fim, o cineasta e cientista social Mario Kuperman aborda diversos temas em sua coletânea de textos Fracasso de Bilheteria. Entre eles, os tratados com mais força são o documentário e a circulação da cultura brasileira, um problema que o cinema nacional ainda parece bastante distante de resolver. "O que espanta é a queda proporcionalmente mais acentuada da freqüência aos filmes brasileiros, que torna praticamente inviável, nos moldes vigentes, a retomada de uma produção industrial. O custo médio de um filme modesto implicaria na venda de, pelo menos, 400 mil ingressos – número que não tem sido atingido pela maioria das obras brasileiras que logram chegar às telas", observa Kuperman. |
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