Diretor de Alemão diz que voltou a estudar para fazer filme

Diretor de Alemão diz que voltou a estudar para fazer filme

Dirigido por José Eduardo Belmonte, Alemão é um thriller policial que se passa nas 48 horas que antecederam a famigerada ocupação policial do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em novembro de 2010. O filme representou vários desafios ao diretor, que fez sua estreia num gênero com o qual não era habituado. Seus longas mais conhecidos são drama autorais que ficaram restritos a festivais e circuitos de arte, como Meu Mundo em Perigo e Se Nada Mais Der Certo. Na entrevista que segue o cineasta revela à reportagem do Cineclick detalhes da produção deste legítimo filme de gênero made in Brazil.

Alemão é um thriller policial, gênero estranho à sua cinebiografia. Como se preparou para filmá-lo?
Eu nunca estudei tanto para fazer um filme. Precisava ter um entendimento do tema e de um gênero que era novo para mim. E filmes como Alemão têm um código próprio. Parecia que estava estudando cinema de novo. Vi uns 40 filmes, os grandes clássicos do gênero. Fui vendo e entendo como funcionavam. Quando comecei a fazer esse filme, olhei para trás e de certa forma ele me remeteu um pouco à infância. Nesta época via muito faroeste com meu pai, muito filme de ação.

Quais foram os desafios de fazer as cenas de ação em ruas do Complexo do Alemão?
O principal desafio foi fazê-las em pouco tempo. A linguagem do filme era de urgência e as cenas de ação demandam muito tempo e planejamento. Foi um processo incrível. Eu tive que planejar muito e eu sou uma pessoa que filma muito de improviso. E nesse caso, em cenas de ação, não dá para improvisar. Tem perseguição de motos, tiroteio, bazuca... Mas a arquitetura do lugar ajuda muito, pois esses labirintos que existem em comunidades ajudam a criar perspectivas muito interessantes. Foi uma experiência muito boa.

Alemão se concentra nos dramas pessoais de cada personagem. A bagagem que trouxe de seus longas anteriores o ajudou neste filme?
O cinema trabalha muito com a ideia da verdade, e ela tem que ser não só crível, mas real. O cinema dramático de personagens sempre foi minha escola. Na verdade, o que as pessoas se interessam são pelos personagens. Os grandes temas sem os personagens não são nada. Isso sempre me interessou mais. Acho que é uma herança humanista de minha mãe. E, naturalmente, usei essa minha experiência passada em Alemão, que não é um filme sobre um tema, mas sobre pessoas inseridas nesta determinada realidade.

Os atores elogiam muito seu método de trabalho no set. Como funciona essa relação harmoniosa diretor-ator?
Eu uso a metáfora do bambu: sou firme e flexível. Acho que os atores são as figuras mais importantes mesmo. Eles estão falando por você, eles têm de funcionar. Você perdoa qualquer coisa, menos atuação ruim. Eu trabalho muito com eles, sabendo que são criadores também. Eu sou o diretor, o cara responsável para cuidar que as coisas não saiam do diapasão, mas eles são criadores juntos comigo. Então, no meu caso, é um trabalho sempre muito colaborativo.


*Leia também:

-Entrevista com Cauã Reymond

-Crítica de Alemão

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